Vivemos um dos períodos mais complexos e instáveis das últimas décadas e porque não dizê-lo da história da gestão. A velocidade, profundidade e simultaneidade das mudanças que atravessam o mundo colocam enormes desafios às empresas — mas também abrem novas oportunidades para quem souber compreender o contexto e adaptar-se. Hoje, gerir bem já não é...

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Artigos de Opinião de Professores e Membros do Conselho Superior
O professor do futuro: de transmissor de informação a curador de conhecimento. Luis Rasquilha
Durante grande parte da história da educação moderna, o professor foi visto como a figura central do saber: aquele que detinha o conhecimento e o transmitia de forma linear aos alunos. Esse modelo, enraizado na lógica taylorista do início do século XX — padronização, repetição, controlo e eficiência —, moldou um professor tradicional, cujo papel principal era reproduzir conteúdos criados por outros (autores, investigadores, pensadores) e transmiti-los de forma organizada à sala de aula.
Esse professor-taylorista estava alinhado com o espírito da época: uma sociedade industrial, onde o importante era formar trabalhadores disciplinados, capazes de desempenhar funções repetitivas com base em instruções claras e conhecimento previamente estabelecido. Não se esperava dele inovação, criação, nem estímulo à autonomia do estudante. O foco era apresentar conteúdos e garantir que fossem memorizados e replicados.
Mas o mundo mudou.
A transição para um professor pós-taylorista
Na sociedade contemporânea, a informação está em todo o lado. Basta um device com acesso à internet para que qualquer aluno tenha mais dados disponíveis do que o maior académico de há cinquenta anos. O valor do professor já não pode residir apenas em transmitir informação, porque essa transmissão perdeu a exclusividade e até a relevância: os alunos podem aceder à mesma, em tempo real, através de múltiplas fontes.
O professor do futuro — ou melhor, o professor do presente que se quer relevante — será cada vez menos um reprodutor de conteúdo e cada vez mais um:
- Curador de conhecimento: seleciona, organiza e contextualiza a informação que realmente importa, ajudando os alunos a separar o sinal do ruído num mar infinito de dados.
- Criador de conteúdo: desenvolve materiais originais, adaptados ao contexto dos alunos e às realidades emergentes, em vez de se limitar a apresentar livros e artigos de terceiros.
- Moderador de aprendizagem: cria ambientes de diálogo, debate e colaboração, estimulando o pensamento crítico, a criatividade e a construção coletiva do saber.
Este professor não desaparece na sombra da tecnologia — pelo contrário, torna-se essencial como facilitador humano num processo em que a tecnologia é ferramenta, mas não substituto.
Do ensino à aprendizagem: mudança de paradigma
A grande viragem está em perceber que o foco já não deve estar em ensinar (ato do professor), mas sim em aprender (processo do aluno). O professor deixa de ser centro e passa a ser catalisador. Isso significa:
- Menos aulas expositivas e mais metodologias ativas, como aprendizagem baseada em projetos, casos, desafios ou simulações.
- Menos conteúdo fechado e mais abertura para que os alunos explorem, investiguem e tragam novos materiais para a sala.
- Menos avaliação baseada em repetição e mais foco em competências — pensamento crítico, resolução de problemas, colaboração, visão de futuro.
Competências do professor do futuro
O professor pós-taylorista precisa de desenvolver um conjunto de competências que vão além do domínio técnico da sua disciplina:
- Alfabetização digital e de futuros — capacidade de usar ferramentas digitais, analisar tendências e preparar os alunos para realidades emergentes.
- Design de aprendizagem — criar experiências ricas, interativas e memoráveis, em vez de simplesmente seguir um manual.
- Inteligência relacional — gerir grupos diversos, moderar debates, estimular a empatia e a colaboração.
- Capacidade de cocriação — aprender com os próprios alunos, partilhar a construção do conhecimento e abrir espaço para inovação.
- Curadoria crítica — filtrar informação, dar sentido e enquadramento, ajudando os estudantes a navegar no excesso de dados.
Exemplos práticos da mudança
- Numa aula de História, em vez de apresentar cronologias prontas, o professor desafia os alunos a criar linhas do tempo digitais e a discutir como os mesmos factos podem ser interpretados de diferentes perspetivas culturais.
- Numa cadeira de Gestão, em vez de explicar apenas modelos clássicos, o professor propõe um desafio: projetar uma empresa que sobreviva a 2040, usando tendências tecnológicas e sociais como base.
- Numa disciplina de Ciências, em vez de repetir fórmulas, o professor guia os alunos na análise de problemas reais da comunidade, aplicando conceitos para propor soluções concretas.
Nestes exemplos, o professor continua a ser central — mas não como fonte única de conhecimento, e sim como mentor, provocador, curador e facilitador.
O professor como criador de futuros
No fundo, o professor do futuro terá um papel que vai além de ensinar disciplinas: será um criador de futuros possíveis, alguém que ajuda a preparar cidadãos para um mundo em constante mudança, desenvolvendo neles a capacidade de imaginar, questionar, adaptar e transformar.
Enquanto o professor tradicional olhava para trás — para os livros e conhecimentos já consolidados —, o professor pós-taylorista olha para frente, ajudando a formar pessoas capazes de navegar a incerteza.
Não basta ensinar o que já sabemos: é preciso educar para o que ainda não existe.
Professor Tradicional vs. Professor do Futuro
Dimensão Professor Tradicional (Taylorista) Professor Pós-Taylorista (do Futuro)
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